terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Literatura Minimalista

LITERATURA MINIMALISTA - CURTA CONTOS - MICROCONTO

Julio Damasio
Foi um choque! Depois de dezessete anos de casado, flagrar um outro homem fazendo a barba no meu banheiro! Espantoso como os filhos crescem de repente. (JDamasio/ @JulioDamasio)

Literatura minimalista

A literatura minimalista é caracterizada pela economia de palavras. Os autores minimalistas evitam advérbios e preferem sugerir contextos a ditar significados. Espera-se dos leitores uma participação ativa na criação da história, pois eles devem “escolher um lado”, baseados em dicas e insinuações, ao invés de representações diretas. As personagens de histórias minimalistas tendem a ser banais, comuns, inexpressivas, nunca famosos detetives ou ricos fabulosos. Geralmente, as histórias são pedaços da vida.
A raiz da literatura minimalista americana é o trabalho de Ernest Hemingway, e um dos melhores exemplos desse estilo é o seu "Hills Like White Elephants". Como Hemingway nunca descreve a entonação que a personagem assume quando fala, o leitor é forçado a interpretá-la baseado na resposta. Além disso, apesar da paisagem ser parte integrante de uma história, ela nunca é explicitada no minimalismo. O nome mais associado a literatura minimalista, entretanto, é o do norte-americano Raymond Carver. Em contos de pouquíssimas linhas o autor procura captar a vida através de ângulos e personagens simples, inesperadamente transformados em figuras e fatos insólitos, misteriosos, mentirosos.
No Brasil tem crescido muito a produção de minicontos (ou microcontos), gênero associado ao minimalismo. Nesse sentido a obra Ah, é?, publicada por Dalton Trevisan em 1994, é considerada obra-prima do estilo minimalista.
Em 2004 o escritor Marcelino Freire resolve radicalizar e lança o livro Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, em que convida cem autores para escrever histórias de até 50 letras (sem contar título e pontuação). No ano seguinte, a Editora Casa Verde leva a idéia para o Rio Grande do Sul, lança o Contos de Bolso, e desta obra surge o que talvez seja o menor conto já produzido em Língua Portuguesa, de Luís Dill: Aventura Nasceu.
Seguindo essa tendência, vários escritores de literatura minimalista foram surgindo, entre eles Edson Rossatto, Carlos Seabra, Tiago Moralles e Samir Mesquita.
Ainda com referência a esse estado, o "Estórias Curtas", programa de cerca de 20 minutos exibido pela RBS TV, é outro bom exemplo de minimalismo incorporado a filmes de curta-metragem.
Literatura minimalista na INTERNET – Twitter – curta contos (microcontos)
A hora de escrever textos curtos no Twitter. A ferramenta, que permite publicações de até 140 caracteres e está cada vez mais popular na internet. Misto de blog e rede social, o Twitter virou febre na internet e agora ganha status de ferramenta pedagógica nas aulas de Língua Portuguesa. Usado como meio de comunicação e informação, o site só permite textos de, no máximo, 140 caracteres. O que é bem pouco (para efeito comparativo, a primeira frase desta reportagem tem exatamente o tamanho permitido). As postagens precisam ser sintéticas para caber nesse espaço reduzido e elas têm uma função comunicativa real (o que é fundamental ao trabalhar com produção de textos na escola). Não é exagero nenhum chamar os tuítes (como as postagens são conhecidas) de um novo gênero textual. 
Um dos primeiros artigos científicos a investigar as possibilidades didáticas dessas publicações foi escrito pelas professoras Mirta Castedo e Natalia Zuazo, da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina. Em Culturas Escritas y Escuela: Viejas e Nuevas Diversidades, elas mostram como o Twitter permite trabalhar com versões reduzidas de notícias e de contos. "O professor pode usá-lo para gerar interesse na construção de composições curtas e explorar diferentes funções nos textos, como informar, gerar reflexão e criar situações de humor", explica Natalia. As reflexões das professoras argentinas deram origem a esta reportagem. 
Qualquer assunto pode se transformar em um tuíte 
Para começar o trabalho, apresente aos estudantes diferentes modelos de contos curtos, que podem vir dos vários livros escritos e, claro, de uma boa pesquisa no Twitter (leia o projeto didático no quadro da página 78). Há uma série de perfis dedicados exclusivamente aos microcontos, como @marcelinofreire e @microcontos. "É importante diversificar os autores e enredos. Conhecer todo esse universo mostrará aos alunos as diversas possibilidades. Eles podem escrever sobre qualquer coisa de que gostam", diz Samir Mesquita, escritor paranaense que já publicou dois livros de microcontos. 
No artigo sobre o tema, Mirta ressalta a necessidade de trabalhar a função do Twitter e o que muda quando a rede é utilizada. Segundo ela, além das perguntas fundamentais para atividades com qualquer gênero (para quem estou escrevendo? Qual o contexto da escrita?), é preciso considerar o processo de produção e as características da internet, como a interatividade e os comentários. Isso pode enriquecer muito as discussões. A publicação dos textos na rede permite múltiplas leituras. Quanto mais pessoas lendo, maiores são as possibilidades de interpretação. Isso dá mais riqueza ao texto. "O que escrevemos em um microconto é apenas 10% da história. O resto se constrói na cabeça de quem lê", explica Mesquita. "A palavra implícita e a pausa de uma vírgula ou de um ponto, por exemplo, proporcionam diferentes impactos sobre os leitores, como qualquer grande obra tradicional", conta ele. Mais do que contar uma história, contos curtos têm o poder de sugeri-la.
No Colégio Hugo Sarmento, em São Paulo, o professor Tiago Calles percebeu a utilidade que o Twitter poderia ter em suas aulas de Língua Portuguesa. Ele escolheu trabalhar a escrita autoral de microcontos -- que em uma definição possível são histórias curtas e objetivas, sem muitos elementos narrativos: "Os estudantes sabiam que o texto que escreveriam estaria publicado na internet e seria lido por muitas pessoas. A partir daí, a dedicação foi tanta que começaram não só a policiar os errinhos mas também discutir com os colegas formas de melhorar o conto", explica. 
Discussões como essas devem ocorrer desde o início da produção, mas até elas começarem cabe ao professor apontar maneiras de melhorar e diminuir o texto. "É importante que, no começo, os alunos não fiquem restritos aos 140 caracteres, mas que escrevam um conto comum, pensando que ele precisará ser sintetizado", explica Jorge Luiz Marques, professor do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Os alunos precisam de tempo para praticar. Começar limitando a escrita reduzirá a capacidade criativa e não oferecerá um exercício tão efetivo de síntese do que foi redigido. 
Outro bom uso do Twitter é a reescrita de notícias com o mesmo objetivo: refletir sobre a síntese. Os alunos podem ouvir ou ler algumas delas e replicá-las em 140 caracteres. "É um bom trabalho para as séries finais, já que também inteira o jovem sobre o que está se passando no mundo", diz Marques.

Referências

ARGAN, Giulio Carlo; Arte moderna; São Paulo: Companhia das Letras, 1992. ISBN 85-7164-251-6
BATCHELOR, David; Minimalismo; São Paulo: Editora Cosac e Naify, 1991. ISBN 85-86374-28-8
BATTCOCK, Gregory; Minimal Art: A Critical Anthology; California: University of California Press, 1995.
BERTONI, Franco; Minimalist Design; Switzerland: Birkhäuser, 2004.
CHOMSKY, Noan; The Minimalist Program. MIT Press, 1995.
LUCIE-SMITH,Edward; Os Movimentos Artísticos a Partir de 1945; São Paulo: Editora Martins Fontes, 2006. ISBN: 8533623127
MARZONA, Daniel; Minimal Art; Taschen, 2005.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O Anjo Mais Velho

O Anjo Mais Velho

(O Teatro Mágico)

Composição: Fernando Anitelli

"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você

Só enquanto eu respirar

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Aldravia - Jornal Hoje

Estilo aldravista usa o mínimo de palavras para fazer poesias

Poetas assumem o desafio de fazer poesias curtas, com conteúdo.
Estilo poético nasceu em Mariana, MG, há pouco mais de 10 anos.

André Luiz AzevedoLisboa, Portugal

Um grupo de poetas brasileiros apresentou em Portugal um jeito diferente de fazer poesia. Eles são poetas aldravistas e assumem o desafio de fazer poesias curtas, com conteúdo.
O nome não é mesmo fácil: o Livro das Aldravias. Uma referência a aldrave, o nome de um batente de porta antigo. Seria a poesia que bate à porta para entrar. São poemas curtinhos, de no máximo, seis palavras.
A apresentação em Portugal foi na Academia de Letras e Artes. Andrea Leal, uma das líderes do movimento, explica o que é o estilo. “A aldravia são seis versos vocabulares. Ela não é uma frase, é um vocábulo em cada linha. Tem que colocar o máximo de poesia com o mínimo de palavras”.

O estilo de poesia nasceu há pouco mais de dez anos em Mariana, uma das cidades histórias mineiras. Um grupo de intelectuais decidiu criar o que eles chamam uma forma genuinamente brasileira de fazer poesia usando um mínimo de palavras para passar a mensagem e agora eles querem exportar essa ideia começando por Portugal.
Na sessão solene de apresentação se misturaram os poetas com os acadêmicos portugueses.
Os brasileiros mostraram alguns exemplos da poesia aldravia.
Sempre peças curtas, sem exigência de rima ou de uma maior elaboração. Os poetas aldravianos dizem que já conquistaram seguidores em outros países. Graças à fórmula da poesia fácil sem rima e sem dificuldade. O mesmo grupo brasileiro depois de Portugal vai para a Espanha.
A escritora e acadêmica portuguesa Celeste Garcez foi uma das primeiras que conheceu e aprovou a poesia à brasileira. “É mais uma poesia que veio para ficar".